Neymar capitão da seleção brasileira? Dunga reflete e sinaliza mudanças

Técnico do Brasil afirma que faixa de capitão não transforma comportamento do atacante, e lembra que no Barcelona o jogador repete erros mesmo sem braçadeira

Por Josemar 17/05/2016 - 07:35 hs

O comportamento de Neymar em campo e fora dele foi um dos principais assuntos do Bem, Amigos! desta segunda-feira, com as presenças do coordenador de seleções da CBF, Gilmar Rinaldi, e o técnico da seleção brasileira, Dunga. E a faixa de capitão do Brasil pode ter um novo dono. Dunga não quis falar se Neymar seguirá ou não com a braçadeira, mas admitiu buscar “mudanças”.  

- Os episódios que têm acontecido na Seleção acontecem no Barcelona também. Não é pelo fato da faixa. Achei (inicialmente) que a questão da faixa daria uma maior segurança para ele - maior visibilidade não porque ele já tem -, se sentiria perante os demais um personagem que é importante pela qualidade técnica dele (...). Têm algumas coisas que a gente vai modificar conversando com o Neymar. Mas a forma como ele joga, a forma como dribla, que a gente tanto quer no futebol, acaba levando para esse caminho que tem mais choque (...).

Dunga no "Bem, Amigos!" (Foto: Marcos Guerra)

Dunga minimizou que a faixa de capitão explique um comportamento mais descontrolado do jogador em campo, e lembrou que no Barcelona, onde não é capitão, os episódios também acontecem. Para ele, tudo que envolve o jogador ganha mais destaque que o normal.

- Dar ou não dar (a braçadeira) é coisa mais fácil que tem. Já conversamos com Neymar e já conversamos com todos (...). No Barcelona ele não usa a faixa de capitão e acontece o mesmo fator. Então não é a questão da faixa, é que tudo que envolve o Neymar toma amplitude muito maior que as coisas normais. Isso não quer dizer que em alguns momentos ele não tenha se excedido ou errado, e a gente tem conversado para chegar num denominador comum que seja bom para ele, para a Seleção e para o Barcelona, mas principalmente pensando na Seleção e no Neymar.

Dunga ainda citou a suspensão de Neymar depois do jogo contra o Uruguai, em março, pelas eliminatórias. Fora do jogo seguinte contra o Paraguai, o atacante viajou para uma festa em Santa Catarina, enquanto os companheiros de Seleção jogavam em Assunção.

- A gente tem que entender que Neymar tem 22 anos. Ele tem uma responsabilidade em que as pessoas esperam que vá resolver sozinho, mas ninguém resolve sozinho. Tudo que o Neymar faz toma uma proporção enorme pelas redes sociais e pela mídia. Se fosse em outro momento ele ter sido expulso, teria que ter tudo uma cobrança, mas ele ter ido participar de uma festa ou não...ele é um jovem, lógico que dentro de um comportamento...o que ele compra ou deixa de comprar com dinheiro dele é outra história, e a gente às vezes mistura as coisas. Ele trabalha para gastar naquilo que bem deseja. Lógico que isso para algumas pessoas vai chocar, mas tem jogador, artistas, políticos, jornalistas que fazem o mesmo e não tem a mesma repercussão. A gente tem conversado justamente isso, que ele é uma referência no futebol e tudo que fizer tem que medir as consequências para o bem ou para o mal. Tem que saber conviver com isso também.

Nome certo nos Jogos Olímpicos do Rio 2016, Neymar está fora da Copa América Centenária, no próximo mês, nos Estados Unidos.