No Lolla, Cage the Elephant mantém rock vivo entre as plateias mais jovens

Banda norte-americana fez sua terceira participação em edições brasileiras do Lollapalooza.

Por Josemar 25/03/2017 - 19:16 hs

Apesar de cada vez mais perder espaço nas programações e nas paradas de sucesso, o rock ainda consegue cativar o público mais jovem, como prova o Cage the Elephant. O show deste sábado (25) foi a terceira participação do grupo em edições brasileiras do Lollapalooza e a recepção foi calorosa tanto dos mais fãs mais dedicados quanto dos que pareciam conhecer os norte-americanos nessa tarde.

É verdade que o Cage the Elephant não tem a originalidade como um dos seus atributos. Em "Cold cold cold", hit do disco mais recente, há ecos de Animals, um dos grupos clássicos dos anos 1960, mas se percebe The Who, Beatles e até um Weezer, adiantando as influências musicais até a década de 1990.

Também se nota na performance do cantor Matt Shultz trejeitos de Iggy Pop e Mick Jagger sem, claro, atingir graus de excelência em trejeitos de Iggy Pop ou Mick Jagger. Mas aí é colocar o sarrafo muito no alto. O cantor corre de um lado do outro do palco, rebola e se joga na galera. E o Cage the Elephant não só faz um show vibrante como tem faixas para lá de boas. Para quem tem menos de 18 clássicos do rock na coleção, pode soar a melhor coisa do mundo. Mas, sim, são trunfos que vêm de longe.

Não há como negar, no entanto, a empolgação que traz "Ain't no rest for the wicked" lá pelo meio da apresentação ou a beleza de "Come a little closer" e "Cigarette Daydreams" quase no final, com os fãs cantando sozinhos a letra - e soando alto.

Shultz não deixou de exaltar a participação do público: "Esse é um dos melhores shows que a gente fez. Nós estamos tendo uma linda conversa aqui" e "Vocês são malucos. Amo isso". E se deixava ser agarrado, abraçado e afagado pelo público no gargarejo.

O Cage the Elephant não consegue ter a mesma personalidade do Arctic Monkeys entre as bandas atuais, mas, se você tivesse 15 anos e estivesse no primeiro contato com o rock, daria feliz um desconto para os caras e se deixaria levar pela empolgação. Está tudo certo.