Jovens honram tradição alemã, superam o Chile e levam a Copa das Confederações

Rotulado de time B, equipe sem astros faz pesar sua camisa, vence decisão por 1 a 0, com gol de Stindl, e garante título para atual campeã mundial - terceiro time europeu a levar o troféu

Por Josemar 02/07/2017 - 18:52 hs

"O futebol é um jogo simples: 22 jogadores lutando por uma bola por 90 minutos e, no fim, a Alemanha sempre vence". A frase de autoria de Gary Lineker, ex-atacante da seleção inglesa, foi cunhada dias antes dos germânicos conquistarem o título mundial em 1990, mas pode resumir o momento que o time europeu viveu na Copa das Confederações. Não importaram a baixa média de idade do elenco, a ausência dos grandes astros ou o rótulo de time B - pesaram a camisa e o padrão de jogo para que a tradicional e gigante Alemanha levasse mais um troféu três anos depois de levar a Copa do Mundo no Brasil. A conquista veio depois de uma vitória por 1 a 0 sobre o Chile, neste domingo, na Arena Zenit, em São Petersburgo, com um gol de Stindl após falha grave de Díaz.


FIM DO JEJUM EUROPEU

A conquista da Alemanha em São Petersburgo encerra o jejum de equipes europeias na Copa das Confederações. A última campeã do Velho Continente foi a França, que levou o torneio em 2003, jogando em casa - desde então, o Brasil levou três troféus. Os germânicos também entram para a história do torneio ao serem os terceiros campeões mundiais a conquistarem, na sequência, a competição dedicada aos vencedores de títulos continentais.

GOL DA ALEMANHA!

O técnico Jöachim Löw mostrou ter acertado em cheio na decisão de mandar à Rússia uma equipe composta basicamente por jovens jogadores, de olho na preparação para a Copa do Mundo do próximo ano e até mesmo do Catar, em 2002. Em nenhuma das cinco partidas que disputaram os alemães foram plenamente inferiores aos adversários: pelo contrário, venceram quatro e empataram apenas uma, justamente diante do Chile, na fase de grupos. O futebol germânico provou que, além de contar com uma geração talentosa para o futuro, tem um padrão de jogo que o faz mais do que candidato ao bicampeonato mundial no ano que vem. 

FALHA GRAVE QUEBRA DOMÍNIO CHILENO

O começo do jogo foi totalmente dominado pelos chilenos, e, diante do ímpeto dos atuais bicampeões da Copa América, o jovem time alemão mostrou nervosismo. Tanto que, logo aos quatro minutos, Ter Stegen teve que salvar chute de Vidal na área. Aos poucos, a Alemanha foi se acalmando e tentando trocar passes, embora tivesse dificuldade com a forte marcação. A melhor chance de os sul-americanos abrirem o placar veio aos 19, quando Vidal bateu, Ter Stegen defendeu, e Sánchez não conseguiu finalizar o rebote. No lance seguinte, veio um castigo: Marcelo Díaz cometeu falha grave na saída de bola, não percebeu que estava marcado por dois e foi desarmado por Werner. O atacante tocou para Stindl, que bateu para o gol vazio e abriu o placar. O Chile demorou um pouco para se recuperar do golpe e viu a Alemanha aumentar seu volume de jogo a ponto de criar boas chances, sempre na base da velocidade. Aos 44, mais uma saída de bola ruim quase resultou em gol: Jara teve passe interceptado por Draxler, que rolou para Goretzka bater. Bravo foi o herói. 

ALEMANHA SEGURA PLACAR EM 2º TEMPO NERVOSO

O Chile tomou a iniciativa no começo da etapa final, mas mostrou dificuldade para criar chances. A Alemanha recuou. O clima ficou tenso quando Bravo discutiu com Kimmich, e Vidal chegou no meio da confusão, empurrando o companheiro de Bayern de Munique com as duas mãos - o árbitro mostrou apenas o amarelo para ambos. Os chilenos voltaram a demonstrar nervosismo na sequência, quando Jara deu uma cotovelada em Werner. Alertado pelo árbitro assistente de vídeo (VAR), o juiz Milorad Mazic só puniu o chileno com o cartão amarelo também. Em termos de futebol, a partida esfriou, com a Alemanha tentando implementar velocidade, e o Chile tendo dificuldade para trocar passes. Na reta final, os sul-americanos conseguiram boas chances com Vidal, aos 30, chutando para fora, e Aránguiz, aos 35, finalizando para Ter Stegen defender. Os bicampeões da Copa América não desistiram: pressionaram e conseguiram levar perigo até o último minuto, quando Sánchez cobrou falta, e Ter Stegen defendeu. 

DRAXLER É ELEITO O CRAQUE

Grande figura e capitão do jovem time alemão, o meia Draxler, do PSG, levou o prêmio de melhor jogador da Copa das Confederações. Seu companheiro de seleção Timo Werner ficou com a Chuteira de Ouro, com três gols marcados - mesma quantidade de Stindl e Goretzka - em 292 minutos, menos que os concorrentes pela artilharia, que jogaram 336. Claudio Bravo foi eleito o melhor goleiro da competição.

A PRIMEIRA QUEDA DA "GERAÇÃO DOURADA"

Desde que foi eliminado pelo Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2014, o Chile viveu um grande crescimento e conquistou dois títulos da Copa América, fazendo sua geração ser chamada de "dourada". A derrota para a Alemanha neste domingo representa a primeira grande queda deste grupo de jogadores, que viveu dois anos de glória com os triunfos nas finais contra a Argentina. Agora, o desafio da equipe é conquistar uma vaga para retornar à Rússia no ano que vem, na Copa do Mundo, através das eliminatórias.

A DESPEDIDA?

A final deste domingo na Arena Zenit pode ter sido o último jogo da história da Copa das Confederações. A Fifa cogita encerrar o torneio no próximo ciclo, antes da Copa do Mundo do Catar, por alguns fatores como conflitos no calendário (o Mundial de 2022 não ocorrerá no meio do ano) e a pouca atratividade do torneio - a ponto de a seleção campeã ter enviado um time alternativo para disputa-lo.