Estudante baleado por colega em escola recebe alta de hospital em Goiânia

Adolescente foi ferido por colega que atirou em outros cinco alunos. Dois morreram e outros três estão internados.

Por Josemar 22/10/2017 - 09:49 hs

O estudante Hyago Marques, de 13 anos, baleado durante ataque em colégio, recebeu alta médica na manhã deste domingo (22) do Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), segundo familiares. O adolescente estava internado na unidade desde sexta-feira (20), quando foi ferido por colega que atirou em seis alunos. Dois morreram e, além de Hyago, outras três pessoas estão internadas.

Antes de ser liberado, o pai do garoto, Thiago Barbosa Gomes, fez um vídeo do filho em que o garoto dizia estar bem e se recuperando. Na gravação, o garoto afirma que pode até “jogar bola”.

Além dele, três estudantes do 8º ano também ficaram feridas. No Hugo, ainda estão internadas Isadora de Morais, 14, e Marcela Rocha Macedo, 13. No entanto, a assessoria de imprensa da unidade de saúde informou não irá mais divulgar informações sobre elas a pedido dos familiares.

O G1 conseguiu contato, no sábado (21), com um parente de Isadora, que levou um tiro no tórax que perfurou o pulmão e já foi operada. A pessoa, que preferiu não se identificar, havia dito que ela segue com estado grave, mas "em melhora e estabilizando".

Já Marcela, segundo o boletim divulgado às 10h de sábado, tem quadro regular e respira espontaneamente. Ela foi transferida para a UTI para melhor observação.

A única que não está internada no Hugo é Lara Fleury Borges, de 14 anos, que, até sábado, estava se recuperando em um apartamento do Hospital dos Acidentados. De acordo com a unidade de saúde, ela foi operada para reconstruir o osso do antebraço, onde foi baleada. O quadro dela é considerado bom.

Tiros

O crime aconteceu na manhã de sexta-feira (20) em uma sala de aula do 8º ano do Colégio Goyases, no Conjunto Riviera, em Goiânia. Além dos feridos, morreram João Vitor Gomes e João Pedro Calembo, ambos de 13 anos. Eles foram enterrados neste sábado. O pai de João Pedro disse que perdoa o atirador.

O coronel da Polícia Militar Anésio Barbosa da Cruz informou que o autor dos disparos era alvo de chacotas de colegas. “Ele estaria sofrendo bullying, se revoltou contra isso, pegou a arma em casa e efetuou os disparos”, disse.

Um aluno de 15 anos, que estava na sala no momento do tiroteio, também contou que o adolescente era vítima de piadas maldosas.

O menor está apreendido apreendido na Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais (Depai). A Justiça acatou pedido do MP e determinou a internação provisória dele por 45 dias.

Tenente-coronel Marcelo Granja, assessor de imprensa da Polícia Militar, revelou ao G1 a conversa que teve com o pai do autor dos disparos, que é major da corporação. Segundo ele, o policial - seu amigo há mais de 15 anos - ainda está profundamente abalado com o que aconteceu.

O assessor informou que tanto o major quando a esposa, que também é policial e dona da arma usada pelo adolescente, serão ouvidos pela Corregedoria da PM. A oitiva deve ocorrer na próxima semana, mas ainda não há data definida.

O que se sabe até agora:

Veja a sequência dos fatos:

  • Colegas relatam que ouviram um barulho
  • Em seguida, os alunos viram o adolescente tirando a arma da mochila e atirando
  • Alunos correram para fora da sala de aula
  • O aluno descarregou um cartucho, carregou o segundo e deu um tiro, mas foi convencido pela coordenadora a travar a arma
  • Estudante foi levado para a biblioteca até a chegada dos policiais