Vacina da febre amarela: Quem trabalha na Zona Norte de SP deve tomar? Veja 10 perguntas e respostas

Imunização é recomendada à população que passa mais tempo na região do que fora dela. Ao G1, coordenadora do Programa de Imunização da Prefeitura esclarece dúvidas sobre o assunto.

Por Josemar 29/10/2017 - 08:18 hs

A confirmação da morte de um macaco por febre amarela no Parque Horto Florestal, na Zona Norte de São Paulo, na última segunda-feira (23), fez com que a Prefeitura intensificasse a campanha de vacinação contra a doença na região. Também como medida preventiva, 15 parques foram fechados por tempo indeterminado.

As ações, embora amplamente divulgadas, não dão conta de esclarecer todas as dúvidas que o assunto pode render.

Para ajudar a solucionar o problema, o G1 fez dez perguntas à coordenadora do Programa Municipal de Imunizações da Covisa (Coordenação de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal Saúde de São Paulo), Maria Lígia Nerger. Confira as respostas abaixo e no vídeo.

1. Quem circula pela Zona Norte somente aos finais de semana precisa tomar a vacina?

Nós estamos falando em febre amarela silvestre. Ou seja, o círculo da febre amarela envolve o macaco que é o hospedeiro e o Haemagogus e Sabethes que é o vetor. Então, para essas pessoas que frequentam o parque, que vão até o Horto, até o Cantareira ou Parque Anhanguera, eles devem estar vacinados.

Mas neste momento, os parques estão fechados. Para quem vai visitar um parente que mora ali, eles não correm o risco de serem contaminados. Só se eles fossem adentrar a mata, aí sim haveria necessidade de tomar a vacina.

2. A vacinação é indicada para quem trabalha, mas não mora na Zona Norte?

Neste caso, como eles ficam o maior período de tempo do dia na região da Zona Norte, eles devem. Maioria dos dias da semana e do horário do dia ele permanece na Zona Norte, deve, sim, receber a vacina.

3. Quem toma ônibus no terminal rodoviário do Tietê deve tomar a vacina?

O Terminal do Tietê está bem distante do Horto Florestal, então a situação epidemiológica atual não exige que a pessoa que vai se deslocar, que vai até o terminal urbano ali do Tietê, exista a necessidade de tomar vacina.

4. Uma pessoa que reside fora de SP e ficará hospedada na Zona Norte por um curto período de tempo deve se vacinar?

O município de São Paulo ainda não é área de recomendação de vacinação para viajante. A partir do momento que houver essa recomendação, a gente vai divulgar amplamente. Então, não existe essa recomendação atual de que as pessoas ao virem para São Paulo tomem a vacina. A menos que vá adentrar a mata, ou seja, vá até os parques, que atualmente estão fechados.

5. Tomei a vacina e depois lembrei que já tinha sido vacinado. O que pode acontecer? O que devo fazer?

Na verdade, é a assim: a pessoa já tem o anticorpo. Se ela tomou a vacina, os anticorpos entenderam, o sistema imunológico da pessoa entrou em ação, mas não há nenhum problema, não vai acarretar nenhum dano à saúde para esta pessoa.

Tanto é que se a gente imaginar, a recomendação anterior, de três anos atrás, era de uma vacinação a cada dez anos. A recomendação atual, de acordo com estudos de duração da proteção, se verificou que apenas uma dose é suficiente.

6. Quem já tomou a vacina há mais de dez anos precisa tomar novamente?

O esquema de vacinação atual, recomendado pela Organização Mundial de Saúde, é de apenas uma dose. Ou seja, independente da fase da vida em que tomou essa dose, não há necessidade de repetir a dose da vacina. Mas para isso precisa ter a comprovação da dose recebida, que é a caderneta de vacinação.

7. Pode ter efeito colateral?

O que se é espera que se tenha após a vacinação, e algumas pessoas podem apresentar isso, é dor no local da aplicação, alguns dias depois pode ter um pouco de febre, mas a grande maioria não vai ter nenhum tipo de reação.

Agora, essa vacina está contraindicada para algumas pessoas que têm comprometimento em relação ao sistema imunológico. Que faz uso de medicação que deprima o sistema imunológico, por exemplo corticoide em altas doses, tratamento para câncer, quimioterapia, radioterapia.

As mulheres grávidas, crianças menores de nove meses, mulheres que estão amamentando crianças menores de seis meses de idade. Se essas tomarem a vacina, elas devem interromper a amamentação por dez dias. Então, é importante a gente fazer uma triagem para saber se essa pessoa pode receber a vacina, e essa triagem está sendo feita em todas as unidades de saúde.

8. Por qual razão a Prefeitura não amplia a vacinação para toda a cidade?

Por conta da situação epidemiológica atual. Nós temos um caso positivo realmente de morte de macaco por febre amarela, que é na região do Horto Florestal, e um que está em investigação no Parque Anhanguera.

Nessas regiões, inclusive os parques estão fechados para visitação, então, as pessoas que moram no entorno, é necessário receber a vacina para que haja a proteção desses indivíduos e não urbanize a febre amarela no município de São Paulo.

A febre amarela urbana não acontece no Brasil desde 1942. A gente está numa intensificação de vacinação dessa população com o objetivo de não-urbanização da febre amarela. O município de São Paulo nunca foi área de recomendação de vacinação.

Quando a gente fala de município de São Paulo, a gente fala de milhões de pessoas, e o número de pessoas a serem vacinadas, nesta primeira fase, é mais de 500 mil pessoas.

9. Quem não mora na Zona Norte, mas frequentou recentemente os parques fechados deve se vacinar?

Não. Na verdade, essa população tem que ficar atenta aos sintomas da doença, porque já se expuseram ao risco. É importante que fiquem atentos aos sintomas, os sintomas iniciais. Esses sintomas se confundem bastante com outras doenças, mas é importante porque eles já têm o risco, já se expuseram ao risco.

Então, é febre, dor no corpo, náuseas, vômitos. Essas pessoas devem ficar bastante atentas aos sintomas e procurar um atendimento médico para que seja pesquisada a febre amarela.

10. Tivemos casos de febre amarela silvestre na cidade de São Paulo este ano?

No município de São Paulo, nós tivemos 12 casos de pessoas que adentraram a mata, foram até o local onde havia a circulação do vírus da febre amarela silvestre, se contaminaram neste local, voltaram para o município de São Paulo e desenvolveram os sintomas aqui e procuraram assistência médica aqui no município de são Paulo. Este é o registro do município de São Paulo. Nenhum óbito.