Sérgio Cabral é interrogado pelo juiz Marcelo Bretas nesta terça-feira

Ex-secretários Hudson Braga e Wilson Carlos também serão ouvidos na 7ª Vara Federal Criminal. MPF acusa ex-governador de pedir 5% do faturamento das obras em propina.

Por Josemar 05/12/2017 - 05:56 hs

O ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) volta a ser interrogado pelo juiz Marcelo Bretas nesta terça-feira (5) na Justiça Federal. Além dele, serão ouvidos os ex-secretários Hudson Braga (Obras) e Wilson Carlos (Governo).

O Ministério Público Federal (MPF) denuncia cartel, fraude de licitações e corrupção de agentes públicos em obras como a do Maracanã, com lavagem de dinheiro.

Segundo o MPF, a denúncia faz a interseção entre esquemas da Operação Calicute e Saqueador, sobre supostos acordos entre empreiteiras em licitações viciadas no Governo do Estado.

Os procuradores acusam o ex-governador de ficar com 5% do faturamento das obras em forma de propina. Cabral nega: ele admite que utilizou caixa dois, mas afirma que nunca recebeu valores para determinar as empresas que fariam as obras.

Delator citou acordo antes da licitação

Executivos da Andrade Gutierrez, os delatores Rogério Nora de Sá e Clóvis Renato Numa Peixoto Primo já afirmaram em juízo que os percentuais de cada empresa foram definidos antes mesmo da licitação. O acordo teria sido feito numa reunião na casa de Cabral, no Leblon.

“O governador disse que não poderia mudar a participação da Delta, de 30%, e que nos entendêssemos com a Odebrecht para que a nossa participação ficasse dentro da participação da Odebrecht, de 70%. Ficou dito que essa obra teria o que chamei de colaboração [para o governador] e foi corrigido para propina, de 5% dos valores faturados. (...) Ficamos com 30% dos 70% da Odebrecht, ou seja, 21% do percentual todo da obra”.