Ministro rebate delatores da Andrade e nega propina em doação para Dilma

Edinho Silva (Comunicação) falou sobre depoimentos de ex-executivos. Ministro atuou como coordenador financeiro da campanha de 2014.

Por Josemar 07/04/2016 - 20:07 hs

O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, rebateu nesta quinta-feira (7) delatores da Operação Lava Jato e negou que a campanha da presidente Dilma Rousseff de 2014 tenha recebido propina em forma de doações legais por meio da empreiteira Andrade Gutierrez. Edinho atuou como coordenador financeiro na campanha petista.Em depoimento no acordo de delação premiada, o ex-presidente da Andrade Gutierrez Otávio Marques de Azevedo e o ex-executivo Flávio Barra afirmaram que a empresa pagou propina em forma de doações legais para as campanhas de Dilma em 2010 e em 2014.

"Quero, nesta oportunidade, reafirmar a forma lícita, a forma transparente com que a campanha da presidenta Dilma arrecadou em 2014. Se o conteúdo da delação divulgado pela imprensa existe, ele não tem lastro na verdade", declarou Edinho Silva.

Durante a entrevista, Edinho Silva também voltou a afirmar que as contas da campanha de Dilma foram aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitora. "É impossível você colocar sob suspeita uma doação que é legal, uma doação que saiu do caixa de uma empresa de forma declarada, e essa doação foi aprovada pelo TSE", disse. "A empresa doou na mesma média que as demais empresas que fizeram doações para a campanha da presidenta Dilma", completou.

'Apelo' contra 'vazamentos seletivos'
Edinho Silva iniciou sua fala nesta quarta fazendo um “apelo” ao poder Judiciário e ao Ministério Público para que impeçam o uso de “vazamentos seletivos” de delações premiadas e o uso desses depoimentos como “instrumento de luta político-partidária”, algo que, para ele, ocorre “de forma indevida”.

Na avaliação do chefe da Comunicação Social, o “apelo” também se justifica em razão da atual conjuntura política. Ele citou o processo de impeachment que a presidente Dilma Rousseff enfrenta na Câmara dos Deputados.

“Este vazamento de uma delação premiada, que é um instrumento de investigação que pressupõe sigilo, essa delação é vazada de forma seletiva e utilizada na luta político-partidária. Faço um apelo para que os integrantes do MP e do Judiciário evitem a todo custo que um processo que tem tudo para fortalecer as instituições se torne objeto da luta político-partidária, principalmente neste momento da vida política brasileira”, afirmou.

Perguntado sobre se acreditava que os vazamentos ocorrem porque há instituições contra o governo Dilma, Edinho Silva afirmou que não faria nenhuma acusação.

Impacto no impeachment
Edinho Silva afirmou, ainda, que o conteúdo da delação dos ex-diretores da Andrade Gutierrez não terá “nenhum” impacto do processo de impeachment da presidente Dilma que atualmente tramita na Câmara dos Deputados. Para o ministro, “é só olhar” as declarações feitas pela campanha petista em 2014 ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Indagado sobre como a presidente recebeu a informação do conteúdo da delação, o petista disse que ela agiu com “tranquilidade e serenidade” porque sabe que “não tem lastro na verdade aquilo que foi divulgado como delação premiada pela imprensa”.

“Tenho plena consciência da lisura dos meus atos. Não tenho nenhum problema que todos os meus atos sejam investigados porque nada vão encontrar, porque agi de forma correta, legal e ética. Eu tenho toda confiança da presidenta Dilma. Ela me conhece e conhece a forma como eu conduzi a arrecadação de sua campanha”, disse o ministro, após ser perguntado sobre se cogita deixar a Secretaria de Comunicação Social em razão da delação.

Delações homologadas
As informações foram publicadas pelo jornal "Folha de S. Paulo" nesta quinta e confirmadas pelo Bom Dia Brasil – as delações foram homologadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki, relator da Lava Jato na corte.

Segundo a reportagem, os delatores disseram que a propina era oriunda de obras superfaturadas da Petrobras e do setor elétrico, e o esquema de pagamentos ganhou maior escala a partir das obras da usina de Belo Monte. Entre as obras listadas com pagamento de propina estão estádios da Copa do Mundo: o Maracanã, no Rio, a Arena Amazônia, em Manaus, e o Mané Garrincha, em Brasília.